Pular para o conteúdo principal

Nova gestão do TEMPO: o que aprendi em casa ?


     Parece paradoxal, mas em tempos de distanciamento social, consegui ter TEMPO e me dedicar a novos caminhos como, por exemplo, divulgar a Ciência  nas redes sociais. Era algo que admirava, mas não tinha tempo para me concentrar como deveria para por em prática.  
      Por isso, usarei este espaço para um desabafo e registro histórico deste momento, quase um ano sabático. Para não pirar, desde 17/03/2020 a 09/07/2020, o que fiz durante a pandemia?

    No campo pessoal, consigo acompanhar o crescimento do meu filho de 2 anos e estar mais presente na vida do mais velho, de 15 anos. Tive tempo para estudar mercado financeiro e arriscar em renda variável, comprando ações que custam menos de R$ 1,00. Vi que cada moedinha que desprezo em minha carteira pode render para o futuro. Li livros que estavam na estante me esperando. Eu os olhava e pensava: tenho que ler, mas agora não vai dar. Também cuidei da casa e aprimorei meus dons gastronômicos, assegurando uma alimentação mais natural e equilibrada para mim e meus filhos. Confesso que o tempo ampliou com o apoio da minha mãe, que está aqui em casa com a gente por um mês. Bom demais viver a interação familiar 24h por dia. Fiz poucos exercícios, preciso melhorar nesta parte. Também me irrito demais com a política e fico triste todos os dias ao ver o crescimento de casos e mortes por COVID-19, e penso: quando isso acabará? Será que teremos nossa rotina novamente?

    Voltando ao mundo do trabalho, professores, pesquisadores e funcionários públicos trabalham muito. São demandas de ensino, pesquisa, extensão e administração que muitas vezes falta tempo para buscar caminhos alternativos e aprender novas metodologias e canais de comunicação. Nestes quatro meses, entre os afazeres domésticos e cuidado com os filhos, estranhamente consegui esse tempo. E quero fazer mais!

Iniciamos com adaptações de atividades presenciais para remotas com o Grupo de Educação Tutorial - GET-Nutrição. Atualizamos as atividades extensionistas e aprendemos a fazer Lives pelo Instagram. Agora estamos montando um Webnário. Aprendi a usar plataformas digitais de reuniões e aulas, como o Google Meet, Zoom, Loom. Montamos o instagram do Grupo de Pesquisa em Nutrição Translacional - GPNUT-T onde, pelo menos duas vezes por semana, traduzimos nossas leituras, revisões de literatura, projetos e produções em textos mais simples e sucintos para os posts no Instagram e para este blog. Na Residencia, damos suporte a distância com aulas remotas a nossas queridas residentes nutricionistas que estão na linha de frente doando amor e técnica na recuperação dos doentes.

Fomos mais adiante, e estamos lançando o podcast AliMENTE, onde eu e o Professor Renato faremos uma dinâmica de publicação de áudios apresentando os fatos mais importantes em nutrição e conversando sobre temas e assuntos que muitas vezes são abordados nas redes sociais de forma confusa.

Tudo isso não é nada demais! Apenas traduzindo o que já fazemos para maior acesso a adultos e jovens que consomem conteúdos pela internet, pois chegou o momento de sair da metodologia de sala de aula e auditórios, das bibliotecas e dos artigos científicos pontuados pela CAPES.  Sair da caixinha, e ampliar nossos horizontes. Escrever de forma livre, porém científica, permitindo a criatividade além das regras da ABNT, Vancouver etc. Escrever o que gostamos, com o sentimento que tanto nos motiva para sairmos de casa e irmos trabalhar. 

Que não paremos de sonhar ! Temos um mundo de coisas a aprender e cabe a nós, professores, fazer desabrochar competências e ter tempo para desabrocharmos também! Seremos inteligentes nos adaptando aos momentos adversos ! 

O que você tem feito neste tempo ?









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Microbiota e Transtornos Mentais: o que você come influencia na conexão cérebro - intestino

Por Thaís Sabião e Aline Aguiar      No texto anterior, demos ênfase ao papel da alimentação na depressão destacando a importância do aumento do consumo de alimentos in natura , fontes de diversas vitaminas, minerais e antioxidantes, e a redução do consumo de alimentos industrializados, os ultraprocessados e embutidos, como um fator de proteção para a depressão. A  modificação no padrão de consumo alimentar traz impactos positivos para a microbiota intestinal, visto que a dieta é o principal determinante da sua composição.       A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos que se encontram no nosso trato gastrointestinal incluindo, predominantemente bactérias, mas também vírus, protozoários e fungos e que em condições normais, não nos trazem prejuízos.      Recentemente, a microbiota têm sido o alvo terapêutico potencial para as doenças mentais e isso se deve a existência de uma comunicação bidirecional entre o cérebro e o ...

Leptina e Dependência Química: qual a relação ?

Por Aline Aguiar e Thayzis de Paula Apontada como um dos hormônios mais importantes no controle do consumo alimentar e do balanço energético, a leptina é secretada principalmente pelos adipócitos. Sua ação, em indivíduos não obesos, promove a diminuição do consumo alimentar e aumento do gasto energético. Em obesos, sua síntese está aumentada devido a maior quantidade de gordura corporal. Porém, ocorre resistência da sua ação no SNC, o que prejudica o controle adequado do consumo alimentar e da saciedade. Desde 2001, estudos mostram a ação da leptina como agente neuroativo na dependência química, inibindo a ação dopaminérgica no circuito mesolímbico de recompensa.   Este circuito é mediado pelo neurotransmissor dopamina e está associado a sensação de prazer. E este prazer desencadeia a sensação de fissura intensa, um desejo muito forte para usar a droga quando os níveis de dopamina estão muito reduzidos. Isso ocorre quando há um intervalo no uso da substância ou retirada da mesma,...

Abordagem Nutricional na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

  Por Bruna Hermisdoff,  Jackeline de Oliveira,  Josiene Garcia e  Lívia Mendes Alunas do Curso de Nutrição da UFJF – texto produzido na disciplina de Dietoterapia II – módulo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (2020. 2o semestre) Revisado por Aline Silva de Aguiar (Professora Departamento Nutrição/UFJF) e Gabriela Amorim (Doutoranda em Saúde Coletiva/UFJF)      A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) trata-se de um grupo de doenças pulmonares causando a diminuição da elasticidade dos pulmões e o espessamento da parede brônquica o que dificulta a respiração. As DPOC mais comuns são o enfisema e a bronquite e estão associadas a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões devido à exposição ao tabaco, poluentes, e/ou infecções respiratórias graves, dentre outros. Os sintomas incluem falta de ar, tosse crônica ou chiados durante a respiração.       Tais doenças acometem, no Brasil, cerca de 17% dos adultos maiores de 40 anos...