Por Gabriela Amorim e Aline Aguiar
A depressão encontra-se entre os transtornos mentais mais prevalentes em todo o mundo. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 4% da população mundial sofre com transtornos depressivos. O Brasil é considerado o país com maior prevalência desse transtorno na América Latina, onde 5,8% dos brasileiros sofrem com a depressão. Além disso, estudos emergentes apontam impactos negativos à saúde mental advindos do maior isolamento social durante a pandemia do COVID-19.
De forma geral, a depressão é um
transtorno mental caracterizado por sentimentos de humor deprimido, culpabilidade,
baixa autoestima, alterações no sono, apetite, indisposição e dificuldades de
concentração. Esses sintomas podem ser acompanhados de ansiedade e o
agravamento, em alguns casos, pode levar ao suicídio.
A depressão pode ser resultado da
interação entre fatores sociais, psicológicos e biológicos, além de outras
comorbidades como doenças crônicas. Não existe um biomarcador específico para o
diagnóstico da depressão. Entretanto, distúrbios nas atividades de serotonina,
depleção dos níveis de triptofano, além de processos inflamatórios e oxidativos
podem contribuir para o seu aparecimento. Por isso, fatores como o
folato, o ômega 3 e componentes antioxidantes da dieta vêm ganhando destaque.
O folato ou ácido fólico exerce importante papel na síntese de dopamina, norepinefrina e serotonina. A
deficiência desses neurotransmissores esta ligada a depressão. São boas fontes
dessa vitamina as leguminosas (feijões, lentilhas, ervilha, grão de bico), folhas
verdes escuras, cereais integrais, ovos, vísceras, amendoim e frutas como
abacate, mamão, banana e laranja.
Os ácidos graxos ômega 3,
principalmente o ácido docosahexaenóico (DHA), exercem importantes funções neuronais. Atuam na neurogênese,
neuromodulação e auxiliam para formação de receptores de serotonina,
norepinefrina e dopamina. São boas
fontes de ômega 3, peixes, principalmente os de águas mais frias. No Brasil, destacam-se com maiores concentrações pescadinha, sardinha, salmão, filhote e cherme. Também
são boas fontes as oleaginosas, como nozes, castanhas, amêndoas e as sementes como
linhaça e chia.
Da mesma forma, alimentos fontes de antioxidantes entre eles as vitaminas A, C e E, selênio, flavonóides, carotenóides e compostos fenólicos, merecem o devido destaque. Visto o cérebro ser um órgão vulnerável a danos oxidativos, a proteção antioxidante conferida por esses compostos se torna importante. Uma alimentação rica em antioxidantes pode estar associada a menores pontuações para sintomas depressivos em escalas avaliativas para o diagnóstico psiquiátrico. Para se ter um bom consumo de antioxidantes é importante investir em frutas e verduras de cores variadas, chás, chocolate amargo 70% cacau ou mais e fontes de gorduras poliinsaturadas como a linhaça, chia, peixes citados anteriormente, oleaginosas e azeite.
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