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Auxílio do Tratamento Nutricional na Infecção por COVID-19

 

Por Ana Luiza Dornellas, Cláudia Aguiar, Isabela Carvalho

Alunas do Curso de Nutrição da UFJF – texto produzido na disciplina de Dietoterapia II – módulo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Revisado por Aline Silva de Aguiar (Professora Departamento Nutrição/UFJF) e Renata Lima (Mestranda em Saúde Coletiva/UFJF)

 

 

Sabe-se que pessoas portadoras de doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, obesidade e doenças cardiovasculares apresentam fatores de risco para as complicações  do COVID-19, e que têm como fator determinante a alimentação. Dessa forma, é importante o cuidado e orientação a esse público, e a toda população, sobre modificações no estilo de vida e fortalecimento da imunidade.  

Em relação aos pacientes acometidos pela doença, deve-se ter um maior cuidado com o estado nutricional, tendo em vista que ocorre uma grande perda de massa muscular, aumento do estresse metabólico, apetite diminuído, problemas neuropsicológicos, mobilidade diminuída, fadiga, disfagia, distúrbios gastrointestinais (vômitos, náuseas, diarreia, constipação), perda de massa e fraqueza muscular, especialmente nos músculos respiratórios.

Apesar da maioria dos infectados apresentarem sintomas brandos, estima-se que 6 a 10% tenham necessidade de hospitalização. Com isso, recomenda-se que os pacientes críticos com COVID-19 recebam manejo nutricional semelhante ao paciente de UTI admitido com comprometimento pulmonar. Dada a falta de evidências diretas em pacientes com COVID-19, principalmente aqueles que estão em choque séptico, muitas recomendações são baseadas em evidências indiretas de pacientes com sepse e síndrome da resposta respiratória aguda (SDRA). Em relação às vias de alimentação, a via oral deve ser privilegiada em pacientes menos graves, incluindo a utilização de suplementos nutricionais orais quando a ingestão energética e proteica estimada for inferior a 60% das necessidades.

Já nos doentes críticos com COVID-19, a Nutrição Enteral é a via preferencial e recomenda-se que seja iniciada nas primeiras 24 a 48 horas, devendo-se considerar o uso de Nutrição Parenteral após 5 a 7 dias nos doentes que não conseguirem atingir mais de 60% das necessidades por via entérica. As vitaminas e minerais são parte do suporte nutricional do doente com COVID-19 e, como tal, sua administração deve ser providenciada por via entérica ou parentérica.

A abordagem nutricional em relação à prevenção de infecções virais deve contemplar a adequação de vitaminas, como as vitaminas A, D, E, C e as do complexo e micronutrientes como zinco e selênio. Considerando que não existe evidência em relação ao benefício da utilização de micronutrientes em doses suprafisiológicas e supra-terapêuticas, estas devem ser administradas nas doses diárias recomendadas ou deve ser feita a sua reposição em situação de déficit.

 

Referências

BRASIL. Associação Brasileira de Nutrição. Guia para uma alimentação saudável em tempos de COVID-19; 2020.

Freitas, M. G G. República Portuguesa . Terapia Nutricional no Doente com COVID-19. Disponível em 4 jun. de 2020. Acesso em 27 out. de 2020.

Garla, Priscila. Ganep Educação, 2020. Recomendações da ASPEN para Terapia Nutricional no paciente crítico com COVID-19. Disponível em . 16 abr. de 2020. Acesso em 27 out. de 2020.

Salazar, L. E. G. et al. Manejo nutricional del paciente hospitalizado criticamente enfermo con COVID-19. Nutrition Hospitalaria. v. 37. n. 3. p. 622-630, 2020.

 



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